quinta-feira, 26 de abril de 2012

Ainda há vida

Às vezes parece muito difícil e cruel, muito sofrido, muito chorado, muito esgotante, muito suado. Ás vezes dói fundo na alma. Corrói a esperança e afasta a fé. Ás vezes parece uma punição, um castigo, desencanto, que se reverte em pranto, em desespero, em aflição. Às vezes nos emudece, nos endurece, nos enrijece, nos desfigura, nos amargura, nos dá medo e repugnância. Às vezes nos tira o alento, o acalento, se torna sofrimento. Puro sofrimento, entorpecimento, alienação. De sentidos obstruídos, de sabores insossos e amargos, de cheiros mórbidos e fétidos, de aspereza ao tato, de visão desfigurada, de tão angustiada desolação.
Mesmo assim é vida! É a águia majestosa de envergadura admirável, de asas maravilhosas, de poder inconfundível, de porte majestoso, de confiança absoluta. Renascida das cinzas, dos retalhos reconstruída, das penas arrancadas, despojada de qualquer beleza ou realeza, mas refeita,  à duras penas renovada, amadurecida e forte, agigantada pelas contingências.
Sim. Novamente viva. Reerguida.Refeita.
Novamente encantadora e feliz. Dona do seu nariz. Senhora do seu destino, da sua vida, do seu querer.
Traça um voo majestoso, profundo e intenso em busca da luz, do sol, da força, do vigor.
Sim. Ainda há vida!
Tantas águias existentes, resistentes, persistentes, gente.
Somos cada um de nós. Atirados ao deserto do sofrimento, da dor, dos problemas e das dificuldades, somos águia porque não desistimos, não paramos no tempo,não cedemos aos desalentos. Desafiamos o tempo, as tempestades e o isolamento. Voltamos para a luta, para a lida, para a grande luz. Renascemos das cinzas, agigantamo-nos e enfrentamos o mundo de cabeças erguidas, de asas abertas, de garras afiadas, de piado sonoro, de voo soberano em busca do infinito, encharcados de vida e de esperança.